Monday, January 15, 2007

Burca

Hoje que a noite transpira
E a brisa nos deixou molhados
Venho burlar olhos detetives
E fazer gozar teus medos chicoteados

Por entre as frestas da ignorância
Como quem foge um pouco da morte
Sinto-lhe trêmula, quase escorrendo
Entreolhando meus olhos de fome

E quando toco-lhe o rosto e a carne
Vejo a loucura que a deixa sorrir
Loucura guardada, febril, sufocada
Que revela o amor que exala de ti

Voltando do Inferno

Voltando do inferno
Tenho muito medo
O frio na barriga
Me consome logo cedo

Tento burlar a dó
Equilibrando-se em vidro
Mas foi tarde de novo
E quando sangro não ligo

Queria ser Chaplin
Rir das brincadeiras
Que tento largar
De todas as maneiras

Quando se respira pouco
Se vive menos ainda
Os ares fazem mal
E a morte é bem-vinda

Voltando para o inferno
Num ciclo infinito
É assim que me abraço
É assim que me evito

Ausência: Causa e Conseqüência

A esperança é a ausência da morte
A morte é a ausência da terra
A terra é a ausência da lágrima
A lágrima é a ausência da guerra

A guerra é a ausência da fé
A fé é a ausência da fome
A fome é a ausência da pazA paz é a ausência do homem